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Ex-Palmeiras ouviu que não servia nem para 4ª divisão. Hoje, é 'O Degolador' na Europa.


José Henrique da Silva Dourado é uma das grandes sensações do Campeonato Português, tendo anotado 13 gols pelo Vitória de Guimarães, mesmo jogando apenas uma parte da temporada, já que chegou em setembro do ano passado ao time.

Se você não reconhece, talvez se lembre do apelido pelo qual era chamado nos tempos de Palmeiras, Cruzeiro, Santos e Portuguesa pela sua comemoração característica: Henrique, o "Ceifador".

Sim, ele mesmo, que foi vice-artilheiro do Brasileirão de 2014, com 16 gols, e um dos grandes responsáveis por salvar o clube alviverde de um rebaixamento que parecia certo, resgatou a boa fase em Portugal, após um período sem brilho em Belo Horizonte.

Foram 12 tentos até agora pela equipe principal do Vitória (mais um pelo time B, além de quatro assistências), sendo dois na goleada por 4 a 1 sobre o Moreirense, pela penúltima rodada do torneio, no último domingo.

Em sua primeira chance no futebol europeu, Henrique não poderia estar mais feliz. Virou ídolo dos habitantes de Guimarães e hoje não paga nem mais jantares na cidade, já que os torcedores cobrem sua conta. Até mesmo sua tradicional comemoração conquistou os portugueses, que repetem o gesto toda vez que o encontram na rua.

A única coisa que teve que mudar foi o apelido, para se adequar ao modo de falar os patrícios: agora, o "Ceifador" responde por Henrique, o "Degolador".

"A primeira vez que fiz a comemoração foi no clássico contra o Braga, e virou um sucesso (risos). Muitos me chamam de Dourado, que é meu sobrenome, mas o apelido virou 'O Degolador' (risos). Toda vez que o pessoal me vê na rua ou no shopping fazem o festo, é muito legal", diverte-se o camisa 89, número que adotou na Europa.


Henrique foi apresentado com pinta de estrela pelo Vitória de Guimarães

"Uns dias atrás uma mulher me parou na rua e pediu: 'Domingo faça o gesto do degolador'. Aí passou a mão no pescoço com tanta força que eu falei: 'Cuidado, moça, senão você vai cortar sua cabeça (risos)", brinca.

O início em Portugal, porém, não foi tão fácil. Ainda sem experiências fora do país, ele teve um início "lento" no Vitória, com apenas três gols nos primeiros 10 jogos. Depois, contudo, deslanchou, emplacando sete nas 10 partidas seguintes.

"Na chegada, demorei um pouco na adaptação, porque o futebol aqui é mais dinâmico e intenso que no Brasil. Até levei muitos cartões amarelos no começo, mas agora já estou bem mais adaptado. Fui muito bem recebido aqui, a estrutura do clube é excelente, e o mais legal é a torcida, que é apaixonada demais", comemora.


Henrique em ação contra o Benfica

"Já cheguei a entrar em restaurante, comer e, na hora de pagar a conta, o dono falar que um torcedor pagou pra mim e pra família. Isso é demais, até emociona esse carinho que eles têm por nós. São apaixonados", conta.

Umas das grandes dificuldades de adaptação ao novo país, aliás, foi a língua, acredite se quiser. Isto porque muitos dos termos usados pelos lusos, especialmente no futebol, são diferentes dos empregados no Brasil, o que gerou algumas confusões para Henrique.

"Logo que cheguei, estava aquecendo e o preparador começou a gritar: 'Vamos, malta, 'bora, malta!', e eu pensava: 'Quem é o tal do Malta que tá fazendo tudo errado?'. Depois me explicaram que, em Portugal, 'malta' é 'pessoal', 'gente' (risos)", gargalha.

"Teve a vez também que estava alongando e o preparador mandou fazer força contra o relvado, e eu pensando: 'Que músculo será esse relvado que eu nunca ouvi?'. Aí me explicaram que 'relvado' era 'gramado' (risos). Vou aprendendo aos poucos", sorri.

Nem para a 4ª divisão

Antes de passar por grandes clubes do futebol nacional e ganhar uma chance no futebol europeu, o "Degolador" comeu o pão que o diabo amassou.

Filho de motorista, acompanhava os pais na viagem desde a infância, sempre sonhando em ser jogador profissional. A primeira chance foi no Flamengo de Guarulhos, sua cidade natal, sem sucesso - como foram diversas de suas tentativas seguintes.


No Palmeiras, foi vice-artilheiro do Brasileirão

"Comecei no Flamengo, mas não deu certo. Depois fiz testes no Santos, na Portuguesa, no São Caetano... Foram umas oito peneiras no total, sendo reprovado em todas. Acabei vencendo na carreira por persistência, porque escutei muito 'não' e promessas não cumpridas", relata.

De acordo com o centroavante, muitas vezes ele era escalado na posição errada, tendo chegado a jogar de lateral esquerdo e de volante, muitas vezes de maneira tenebrosa.

"Me escalaram de meia esquerda e de lateral esquerdo no juvenil, e também cheguei a jogar de volante em uma Copa São Paulo. O problema é que eu levava muita bola nas costas e fazia muito pênalti como lateral (risos)", lembra.

"Aí teve um jogo em que estávamos perdendo por 2 a 1 e o técnico me mandou pro ataque. Sofri dois pênaltis, fiz um gol e viramos pra 3 a 2! Depois, nunca mais voltei para a defesa. Virei atacante de vez e estou aqui até hoje (risos)", conta.

Só que, como atacante, o início do "Ceifador" também não foi fácil. Ele chegou a ouvir que não servia para jogar "nem a 4ª divisão", e chegou a ser o 3º reserva do ataque nos tempos em que disputou a Série C do Brasileiro pelo Santo André, em 2011.

"Estava no profissinal do Flamengo de Guarulhos e não era muito utilizado. Um dia, o presidente me falou: 'Você não tem futebol nem para jogar a 4ª divisão, vamos te emprestar'. Isso que eu nem tinha tido uma chance! Aí pensei que não queria mais jogar, desanimei. Foi minha mãe que não deixou, porque disse que eu tinha batalhado tanto e não podia entregar tudo de mão beijada", recorda.

O empréstimo ao pequeno Lemense, porém, só lhe fez bem. De lá, foi para o União São João, e em seguida para o Santo André. Depois, arrebentou em passagens por Cianorte (14 gols em 30 jogos) e Chapecoense (cinco gols em oito jogos). Foi para o Mogi Mirim, clube pelo qual fez muito sucesso no Paulistão de 2013, sendo contratado depois pelo Santos. Na Vila Belmiro, não vingou, e acabou emprestado à Portuguesa, clube no qual reencontrou seu futebol e chamou a atenção do Palmeiras.


No Cruzeiro, sucesso do Palmeiras não se repetiu

Ele chegou ao Palestra Itália dias depois do atacante Alan Kardec ir para o São Paulo. Logo em sua estreia, marcou contra o Flamengo, no Maracanã. Ao longo do Brasileirão, foi deixando seus gols e se popularizou ao fazer a comemoração na qual "degolava" os adversários - por isso, ficou conhecido como "Ceifador".

"Quando cheguei ao Palmeiras, era uma pressão enorme pela saída do Kardec, então foi uma responsabilidade muito grande. O Paulo Nobre e toda a diretoria, além dos companheiros, sempre me deram muita força, e isso foi fundamental para tudo dar certo. Posso dizer que fui abraçado por todos. O Palmeiras me deu uma projeção enorme, é uma camisa muito forte", afirma.

Hoje arrebentando no futebol português, ele não poderia estar mais sorridente.

"Dou muito valor ao sucesso de hoje, porque conheço bem o outro lado da moeda. Sei o quanto é duro ouvir que você não serve nem para jogar a 4ª divisão. Mas tudo isso serviu de aprendizado para a minha carreira", finaliza.
Fonte: ESPN

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